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NOTÍCIA


28
Jan

JANEIRO ROXO: TODOS CONTRA A HANSENíASE



Neste mês de janeiro, é propagada em todo o País a campanha ‘Todos Contra a Hanseníase’, criada pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) com a intenção de reverter o quadro de dificuldades em divulgar a doença para a comunidade.

“É de extrema importância que a população seja informada sobre a hanseníase, pois trata-se de uma doença contagiosa, negligenciada, altamente incapacitante se não diagnosticada e tratada precoce e adequadamente”, diz o médico dermatologista Hugo Alexandre Lima.

De acordo com dados da SBH, o Brasil é o 2º país no ranking mundial de hanseníase – atrás da Índia –, e a doença é subnotificada. Cerca de 30 mil casos são notificados a cada ano – número semelhante à notificação de novos casos de HIV/AIDS. Todo ano, o Maranhão é o estado com o maior número de casos registrados. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, somente na Capital foram notificados 159 casos em 2016. Em 2017, o número é bem próximo: foram notificados 151 casos.

Segundo a SBH, a falta de informação e o preconceito são os grandes vilões responsáveis pelo cenário da hanseníase no Brasil. “Existe um estigma em relação à hanseníase. Antigamente, quando não havia tratamento para essa doença, os portadores eram isolados em vilas e colônias, onde ficavam por toda a vida. Hoje, a hanseníase tem cura, e o doente em tratamento pode conviver normalmente com parentes e amigos sem o risco de transmitir a doença. Mesmo assim, existem preconceito e medo por parte da população”, comenta Hugo Alexandre.


A doença


A hanseníase, antigamente conhecida como lepra, é uma doença infecciosa restrita ao ser humano causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, tendo sido identificada em 1873 pelo cientista Armauer Hansen. É uma das doenças mais antigas do mundo, com registro de casos há mais de 4 mil anos na China, no Egito e na Índia. De acordo com informações da SBD, a transmissão do M. leprae se dá por meio de convivência muito próxima e prolongada com o doente portador da forma transmissora (chamada multibacilar) que ainda não iniciou o tratamento. No caso de doentes que recebem tratamento médico, não há risco de transmissão. A bactéria é transmitida para outra pessoa através de gotículas da fala, da tosse, do espirro e de secreções nasais.

“Tocar a pele do paciente não transmite a hanseníase”, completa Hugo Alexandre, que esclarece: “Cerca de 90% da população têm defesa contra a doença. Apenas uma minoria está geneticamente propensa a desenvolver a doença. A hanseníase é uma doença considerada de alta infectividade e baixa patogenicidade, ou seja, muitas pessoas são contaminadas pelo agente causador, mas são pouquíssimas que irão adoecer. O período de incubação (tempo entre a aquisição a doença e da manifestação dos sintomas) varia de seis meses a cinco anos”.

Ainda segundo a SBD, a suspeição da hanseníase é feita pela equipe de saúde e pelo próprio paciente. “O diagnóstico é feito pelo médico, e envolve a avaliação clínica dermatoneurológica do paciente por meio de testes de sensibilidade na pele, palpação de nervos, avaliação da força motora, etc. Exames complementares (como a baciloscopia e a biópsia) auxiliam no diagnóstico e na classificação clínica”, acrescenta o dermatologista.


Classificação


Conforme explica a SBD, pode-se classificar a doença em hanseníase paucibacilar (com poucos ou nenhum bacilo nos exames) ou multibacilar (com muitos bacilos). A forma multibacilar não tratada possui potencial de transmissão. “A classificação é importante para que o médico defina quais medicamentos o paciente deverá tomar e por quantos meses será o tratamento”, diz o coordenador da campanha promovida pela SBD-GO.


Sintomas


De acordo com Hugo Alexandre, a maneira como a hanseníase se manifesta varia de acordo com a genética da pessoa: “Algumas pessoas são propensas a desenvolver a forma paucibacilar, enquanto outras irão desenvolver a multibacilar. A maioria dos casos notificados de hanseníase está na faixa etária dos 20 aos 40 anos. Devido ao longo período de incubação, a hanseníase é menos frequente em crianças, mas ocorre praticamente em todas as faixas etárias”.

Segundo o dermatologista, a doença pode se manifestar de diferentes formas na pele. “As manchas podem ser claras, avermelhadas ou escuras. Também podem ser pouco nítidas ou bem visíveis com limites precisos. Algumas apresentam relevo com descamação. O fator comum entre elas é a diminuição da sensibilidade (com maior ou menor grau). Existe uma forma da doença (hanseníase neural pura) em que o paciente não tem manchas na pele, mas apresenta dores e diminuição da força em braços e pernas”, explica o dermatologista, que alerta: “Qualquer pessoa que tiver uma mancha ou área de pele dormente deve procurar um centro de saúde”.


Tratamento


Hoje, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente com a intenção de que a doença deixe de ser um problema de saúde pública. Atualmente, os países com maior detecção de casos são os menos desenvolvidos ou com superpopulação.


“O tratamento é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e varia de seis meses (nas formas paucibacilares) a um ano (nos multibacilares), podendo ser prorrogado ou feita a substituição da medicação em casos especiais. Gestantes podem fazer o tratamento normalmente sem prejuízo ao feto. O tratamento é eficaz, e cura. Quando o paciente é diagnosticado tardiamente e apresenta sequelas – por exemplo, perda dos dedos, perda dos movimentos das mãos e dos pés –, são utilizados órteses, próteses e calçados especiais. Além disso, uma grande contribuição à prevenção e ao tratamento das incapacidades causadas pela hanseníase é a fisioterapia”, pontua o médico especialista.


Prevenção


Ter hábitos saudáveis, alimentação adequada, boas condições de higiene, evitar o álcool e praticar atividade física, segundo o dermatologista, contribuem para dificultar o adoecimento pela hanseníase.

“As melhores formas de prevenção são o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, assim como o exame clínico e a indicação de vacina BCG para melhorar a resposta imunológica dos contatos do paciente. Desta forma, a cadeia de transmissão da doença pode ser interrompida. Por ter um longo período de incubação e por muitos diagnósticos serem tardios, a hanseníase está longe de ser erradicada”, conclui Hugo Alexandre.


Data: 16  de janeiro de 2018

Veículo: Jornal Diário da Manhã

Mídia: Web/Impresso

Assunto: Janeiro Roxo - Hanseníase

Título: Janeiro Roxo: Todos Contra a Hanseníase

Link: https://www.dm.com.br/saude/2018/01/janeiro-roxo-todos-contra-a-hanseniase.html



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